MENU

Jornalista e blogueira paraense denuncia Judiciário local por corrupção política e crime organizado

A jornalista Ana Célia Pinheiro acusa o desembargador Milton Nobre, do Tribunal de Justiça do Pará (TJ/PA),de ter transformado o Judiciário paraense em "mero fantoche da corrupção política"

Publicado: 03 Novembro, 2016 - 17h09

Escrito por: Blog Perereca da Vizinha

notice

         A jornalista Ana Célia Pinheiro, publicou em seu blog “Perereca da Vizinha” uma carta aberta ao desembargador Milton Nobre, do Tribunal de Justiça do Pará (TJ/PA), acusando-o de ter transformado o Judiciário Paraense num “prostíbulo” e “mero fantoche da corrupção política e do crime organizado”.

             Segundo Ana Célia, o desembargador Milton Nobre “manipula a distribuição de processos, para que eles acabem nas mãos dos meliantes que integram a sua organização criminosa”. Leia a matéria completa abaixo:

Carta aberta ao desembargador Milton Nobre

Em primeiro lugar, eu queria lhe parabenizar, doutor Milton Nobre, porque o senhor conseguiu, de fato, uma proeza: transformar o Judiciário paraense no prostíbulo mais arreganhado de todos os tempos.

          Sob o seu comando, esse Poder magnífico, que é o Judiciário, transformou-se em mero capacho desse chefe de quadrilha que é o governador Simão Jatene.

         Tornou-se, portanto, um mero fantoche da corrupção política e do crime organizado.

          Nenhum processo contra essa quadrilha, por maior que seja o crime que cometa, consegue prosperar neste estado, devido a sua ação nefasta.

           No entanto, todos os cidadãos mais bem informados sabem que é o senhor quem coordena essa rede de corrupção e tráfico de influência que hoje domina o Judiciário paraense, através da distribuição de benesses aos bandidos togados da sua marca, pelo governador.

           Todos sabem que o senhor manipula a distribuição de processos, para que eles acabem nas mãos dos meliantes que integram a sua organização criminosa.

           Todos sabem, mas ninguém fala, já que todos morrem de medo do senhor.

           Porque de nada adiantarão provas, advogados ou o que quer que seja: ao fim e ao cabo, a sentença em um eventual processo será escrita pelo senhor, e alguma magistrado de quinta categoria apenas a assinará.

          Hoje, o Judiciário paraense, sustentado pelos milhões de impostos dos cidadãos, serve apenas aos seus interesses e às quadrilhas que dominam este estado.

          Os processos que o senhor determina, tramitam com celeridade impressionante, digna de uma Suécia. Já aqueles que o senhor não quer que andem, são simplesmente travados por algum de seus comparsas.

 

      Corajosos e honrados juízes de primeiro grau, ainda tentam fazer Justiça, insurgindo-se contra a sua máfia.

        Mas no Desembargo, o seu controle é quase total: um ou outro desembargador é que ainda busca, cada vez mais solitariamente, honrar a toga que veste.

        Imagino como tamanho poder não lhe provoca quase um orgasmo, não é, doutor?

         Imagino como o senhor se imagina “bom” e “puro”, ao papar uma hóstia, enquanto milhares de pessoas são assassinadas em nossas ruas, devido a sua psicopatia.

           E eu creio que ao ver religiosos como o senhor, a papar hóstias ou a gritar aleluias, Deus deve é sentir uma tremenda ânsia de vômito.

          Sei que ao publicar esta carta, doutor Milton, o senhor e a sua gangue transformarão a minha vida em um miserável inferno, até o fim dos meus dias.

          Sei, também, que estarei sozinha; que muitos se afastarão de mim, como se portadora de algum vírus; e que outros tantos, a seu serviço, farão de tudo para destruir a minha reputação.

     No entanto, depois de muito pensar, acabei concluindo que não há maneira de acabar com as quadrilhas que se apoderaram deste estado, sem antes desarticular a organização criminosa que o senhor comanda.

      Nunca tive “vocação” para heroína, doutor Milton.

      Sou é uma sobrevivente – e me orgulho disso.

      Mas nestes últimos dias, ao refletir sobre a minha vida, percebi que não tenho rigorosamente nada a perder, ao enfrentar abertamente a sua gangue.

       Vou fazer 56 anos. E como vivi desbragadamente, se Deus me conceder mais quatro, terei é que me dar por satisfeita.

        Além disso, quando o Senhor meu Deus me chamar, voltarei pra Ele apenas com o meu espírito, que, por sinal, nem sequer me pertence, mas a Ele, como tudo o mais no Universo.

         Processe-me, doutor Milton, como, aliás, já o fez, e o senhor me arrancará quase nada, já que o pouco que acumulei ao longo da vida não vale nem R$ 2 mil.

         Mande me prender, e eu continuarei a pensar e a escrever, para que todos saibam, no presente e o futuro, o bandido que é o senhor.

          Mande me matar através dos jagunços da quadrilha do seu comparsa, Simão Jatene. Mas tenha certeza de uma coisa: só partirei daqui quando Aquele lá em cima determinar, porque nem o senhor nem ninguém é mais poderoso do que Ele.

          Vamos, portanto, jogar o “phoda-se”, doutor Milton, até o derradeiro fôlego de cada qual.

         Eu contra o senhor e toda essa bandidagem togada que empesta este Estado.

 

        Desta feita, sem acordos, sem sorrisos, sem dissimulações.

        Vamos jogar de maneira crua, tratando o senhor da maneira que merece, porque assim, quem sabe, desperte o sonolento CNJ.

         O que não dá mais é pra suportar o triunfo dos seus crimes, à custa de milhares de vidas, em todo o estado do Pará.

        FUUUIIIIII!!!!!!