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Eder Mauro, da bancada da bala, agride o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa

Ex-delegado partiu pra cima do deputado estadual Carlos Bordalo (PT) durante reunião da Comissão Externa da Câmara Federal sobre a chacina de Pau D'arco.

Publicado: 05 Junho, 2017 - 16h11

Escrito por: Fátima Gonçalves

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     O deputado Federal e ex-delegado Eder Mauro (PSD-PA) mostrou na manhã desta segunda-feira (5) que não tem equilíbrio e nem preparo para o cargo que ocupa e nem para integrar a comissão externa da Câmara Federal que está em Belém para acompanhar as investigações sobre o assassinato de 10 trabalhadores rurais na fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’arco, a 860 quilômetros de Belém. Em plena Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), ele partiu para cima do deputado estadual Carlos Bordalo (PT), que é presidente da comissão de direitos humanos do legislativo paraense.     A agressão física só não ocorreu devido a ação de assessores e seguranças da Casa.

     Uma reunião foi convocada para a Alepa pela comissão da Câmara Federal, coordenada pela deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), justamente para ouvir o depoimento do deputado Bordalo, que, junto com outros parlamentares da comissão de direitos humanos, produziu um relatório provando que as mortes em Pau D'arco ocorreram devido a truculência da ação policial.

    Logo na abertura da reunião, assim que o deputado Bordalo começou a falar, Eder Mauro passou a xingá-lo, dizendo que o relatório não valia nada e que era fantasioso. Então, Carlos Bordalo comunicou a todos que apresentaria o relatório e, em seguida, se retiraria para que a reunião fluísse, já que o clima estava bastante hostil a sua presença. A sala de reunião estava repleta de representantes das entidades de policiais civis e militares.

    Inconformado ao saber que Carlos Bordalo iria se retirar, Eder Mauro partiu para cima dele, chamando-o de “covarde” e “bandido”, que teria de ficar no local para ouvir o que eles, os policiais tinham a dizer. Bordalo retrucou chamando o ex-delegado de “fascista”.

     O relatório da comissão de direitos humanos da Alepa aponta que não houve confronto e que a maioria dos tiros foram dados a queima roupa por policiais militares e civis que, na madrugada do dia 24 de maio, foram até a fazenda Santa Lúcia cumprir mandados de prisão que diziam respeito ao assassinato de um vigia da fazenda, ocorrido no dia 30 de abril passado.

    A divulgação do relatório da Alepa gerou repercussão nacional e internacional. E isso provocou um clima de revolta entre os policiais. O deputado Bordalo passou a sofrer ataques e ameaças nas mídias sociais e programas de rádio e televisão.  Várias entidades ligadas a luta pela reforma agrária e por direitos humanos divulgaram nota de solidariedade ao parlamentar, entre elas, a CUT Pará. Veja a nota: http://www.cut-pa.org.br/destaques/920/cut-para-divulga-nota-de-solidariedade-ao-deputado-carlos-bordalo-pt.

   No último domingo (4), os policiais fizeram uma passeata em Belém com pouca adesão em apoio aos policiais que participaram da ação em Pau D’arco. No final do ato, o ex-delegado Eder Mauro convocou os policiais e o povo em geral para que fossem, no dia seguinte, para um “embate”, na Alepa. A convocação prova que Eder Mauro não estava na comissão para buscar esclarecer o fato. 

    A reunião prosseguiu sem a presença do deputado Bordalo, que usou as redes sociais para lamentar o ocorrido. Disse que o deputado Eder Mauro não se comportou como um parlamentar, um representante do povo. “E eu não fui eleito para brigar num ringue de luta livre”. Veja aqui:   https://www.facebook.com/carlos.bordaloii/

    Após o encerramento, a deputada Elcione Barbalho foi até o gabinete de Bordalo para fazer o que a comissão externa da Câmara Federal tinha se proposto ao ir à Assembleia Legislativa do Pará: conhecer o relatório da comissão de direitos humanos sobre a chacina de Pau D’arco.