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A Delegação Paraense apresentou uma Moção de apoio à categoria urbanitária que luta pela federalização da CELPA

A mesma moção também foi de repúdio à Rede/CELPA pelas demissões, terceirizações, assédio moral e péssima prestação de serviço à população.

Publicado: 30 Julho, 2014 - 03h25

Escrito por: CUT-PA

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Delegadas e delegados à 14ª plenária estatutária nacional da CUT que se realiza  no Espaço Adamastor em Guarulhos.SP de 28/jul a 1º/8, apresentam esta moção de apoio à luta da categoria urbanitária no Pará pela federalização da Celpa e, simultaneamente, de repúdio a empresa Celpa/Equatorial que hoje controla a Centrais Elétricas do Pará, privatizada pelos tucanos há 16 anos.
 
 
A situação da CELPA - Centrais Elétricas do Pará é o resultado mais expressivo do processo de privatização de empresas públicas brasileiras, dirigido por FHC-Fernando Henrique Cardoso, pelo ex-governador Almir Gabriel e pelo atual governador Simão Jatene, que comandou o processo em 1998, na condição de secretário de Planejamento do Pará. Hoje quase falida e em recuperação judicial, a Celpa é o mais recente exemplo danoso da privataria tucana.
 
Há 16 anos,  em 9 de julho de 1998, a Celpa foi vendida por US$ 450 milhões ao grupo Rede Energia, que comprou uma empresa organizada, saudável  e cuja saúde financeira sucumbiu em um processo de drenagem dos seus resultados para outras empresas do grupo. Há mais de um ano, o Grupo Rede vendeu a Celpa para a Equatorial que hoje controla a empresa e acelerou um brutal processo de demissões, assédio moral, terceirizações, aprofundando, ao mesmo tempo, a péssima e cara prestação de serviços à população.
 
O primeiro efeito da privatização foi a demissão de mais de 2 mil trabalhadores, parte da qual foi substituída por empregados com salário menores, situação perversa da rotatividade contra a qual a CUT já se posicionou. E recentemente, a Celpa/Equatorial aumentou o processo de demissão.  Além da demissão, a nova gestão da Celpa/Equatorial incluiu má administração, terceirização, falta de autonomia e de investimento no sistema, bem como a centralização dos serviços fora do Pará, completamente alheio à realidade Amazônica.
 
Esse conjunto de ações deu um selo à Celpa, em 2010: o inconveniente título de pior distribuidora de energia do país e a que tem as piores condições de trabalho, segundo a Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (ABRADEE). E a mesma má administração e falta de investimento na CELPA é responsável hoje por apagões e prejuízos à população de Belém e dos municípios paraenses, deixando no escuro boa parte do povo do Pará.
 
O Estado do Pará possui a maior hidrelétrica genuinamente brasileira (Tucuruí), exporta energia para o resto do país, algo em torno de 75%, mas os recursos oriundos desses impostos não ficam no Pará, não beneficiam a população paraense. Então, não pode a população paraense ser penalizada pela falta de compromisso de grupos privados que visam somente o lucro e tarifa elevada. Desde a privatização da Celpa, a tarifa de energia no Pará subiu mais de 100%.
 
A Celpa/Equatorial solicitou à ANEEL novo reajuste na tarifa de energia, na casa dos 37,07% e pra vigorar já nesse mês de agosto, o que se constitui num assalto ao bolso do trabalhador, especialmente porque a Celpa/Equatorial detém o indicador de péssima prestadora de serviços, liderando as reclamações no Procon que só de janeiro a julho recebeu 1.457 reclamações contra a empresa. Carimbo forte e nefasto dos efeitos da privatização no Pará. A Aneel não pode conceder esse abusivo reajuste!
 
Assim, considerando que existem cerca de 30% de ações da Eletrobrás na Celpa e que o fornecimento de energia elétrica é um direito humano e uma atividade essencial, tendo o poder público grande responsabilidade na continuidade desse serviço, defendemos a imediata federalização da Celpa, via Eletrobrás.
 
E mais: além da federalização, nós, delegados e delegadas participantes da 14ª plenária da CUT, defendemos uma dupla moção. A primeira,de apoio à luta da categoria urbanitária no Pará para que o governo federal assuma a Centrais Elétricas do Pará, no mesmo sistema de federalização das elétricas do Acre, Roraima, Rondônia, Amazonas e Goiás e agora Amapá. Também, que seja efetivado o pagamento aos credores e assegurada a manutenção dos empregos dos trabalhadores da Celpa, combate à terceirização e à rotatividade no setor elétrico. E em segundo, mas igualmente importante, moção de repúdio à Celpa/Equatorial pelas demissões, terceirizações, péssima prestação de serviço e  descompromisso com a população e os trabalhadores da Celpa.
 
O povo do Pará e os trabalhadores da Celpa não podem pagar pelas consequências do projeto privatista dos tucanos.
 
Guarulhos(SP), 28 de julho de 2014.
 
Delegadas e delegados à 14 plenária.